Esqueça a imagem de "Pimentinha" (apelido que ela odiava, como anuncia o evento) e "Furacão", de quem teve uma vida tumultuada e era dona de um gênio forte e muitas vezes de difícil convivência. Na exposição “Nívea Viva Elis”, que pode ser visitada gratuitamente, até 20 de maio, no Centro Cultural São Paulo, o que se vê (e também se ouve) é uma artista exuberante e uma cantora para sempre inigualável.
“Elis Regina não só sabia cantar vários gêneros maravilhosamente bem; sabia como ninguém escolher o que cantar. Lançou grandes compositores, reinventou grandes clássicos e criou grandes sucessos populares. Tudo era grande na baixinha: a voz, os gestos, a emoção e a imensa musicalidade que continua nos encantando trinta anos depois de sua partida”, assegura Nelson Motta, num texto exposto logo na entrada.
É o que se confirma ao se escutar ela duelar com Hermeto Paschoal, no célebre show no festival de Montreux, na Suíça, em 1979; e interpretar a capela a linda “Se eu quiser falar com Deus”, de Gilberto Gil, numa espécie de templo sagrado ao qual se entra após percorrer um corredor circular cercado por cacos de vidro coloridos presos a barbantes dependurados. Talvez seja a parte mais emocionante e, por isso mesmo, concorrida.
Idealizada pelo filho mais velho de Elis, João Marcello Bôscoli, a exposição mostra a cantora na convivência de amigos e na intimidade com a família, mas principalmente interpretando grandes clássicos e dando depoimentos a programas de televisão. É quando se percebe como o registro historiográfico mudou completamente depois da propagação dos arquivos audiovisuais.
Numa das cenas mais curiosas, Elis Regina participa de um programa de televisão em que conversa com imensas reproduções em papelão de astros com os quais conviveu, como Pelé e Vinicius de Moraes. Outra é uma sessão de gravação e bate-papo com Tom Jobim e César Camargo Mariano.
Ao todo, são mais de 200 fotos e imagens diversas, incluindo ingressos e pôsteres de shows, reportagens de revistas e jornais da época, reproduzidos em grandes painéis. Também é possível ver réplicas de vestidos utilizados por ela no show “Falso Brilhante” e ouvir todos os discos gravados por Elis Regina.
Ou seja, depois de uma visita à exposição “Nívea Viva Elis” será impossível desconhecer a trajetória desse grande nome da música brasileira e, para muitos, com certeza dará vontade de reler a ótima biografia escrita por Regina Echeverria, “Furacão Elis”, que acaba de ser reeditada, com “novos olhos”.
Serviço
Exposição Nívea Viva Elis
Centro Cultural São Paulo – piso Flávio de Carvalho
Rua Vergueiro, 1.000. Paraíso - Fone: (11) 3397-4002
Até 20/5 - de terça a sexta, das 10h às 19h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h30. Grátis
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